O assunto do momento  a propaganda eleitoral pela televiso. Cada um prepara as suas defesas do jeito que pode. A estratgia mais comum parece ser a das fitas de vdeos. H tambm o pessoal que se programou para aproveitar a temporada cultural e assistir a todas as peas de teatro e espetculos de msica. H ainda os que comearam usar o horrio eleitoral para fazer ginstica em academias, jogar baralho, organizar bingos, ler, bordar, costurar ou simplesmente fazer visitas desde que no corram o risco de serem bombardeados com a propaganda eleitoral em casa alheia.

A dona Joaninha, amiga velha e companheira dos tempos de ginsio, est preocupada com a substituio da "ramos Seis" novela doce, amorosa e civilizada por aquele festival de ataques pessoais que marcaram as ltimas campanhas. Ponderei a ela que a nova lei impede os improprios e desestimula o sensacionalismo. Incontinenti, ela retrucou: esta a, ento, um grande teste para os profissionais de TV.

No tinha pensado nisso. Afinal, no sou do ramo. E tenho bem menos tempo do que a Joaninha para ver televiso. Mas, como ela mencionou a novela, vi, no caso, uma certa analogia entre fazer um programa eleitoral atraente, sem xingao e desaforos, e produzir uma novela interessante, sem imoralidades e apelaes. Tenho um amigo cineasta que costuma dizer:  bem mais fcil ter sucesso com filmes proibidos para menores de 18 anos que com filmes de censura livre.

A criatividade e a competncia dos candidatos e dos profissionais de televiso tero de ser reveladas na base de suas reais qualidades o que at aqui foi raro. O eventual recurso  calnia, injria ou difamao poder custar aos interessados alguns preciosos minutos na forma de direito de resposta.

Se tomarmos a praxe atual, as novas restries legais tornaro os programas mais cansativos, principalmente, para os que se habituaram as cenas de rififi como as praticadas nos antigos programas polticos que, no fundo, deveriam ser pedaggicos. Entretanto, a "ramos Seis" est provando ser possvel atrair o espectador fazendo arte com respeito. E a democracia exige respeito, sobretudo, pelo eleitor e sua famlia.

 bem possvel que alguns dos nossos profissionais de TV venham a passar bem no teste aventado pela dona Joaninha. Isso ser bom pois, ao promover os candidatos dentro dos cnones da educao, eles estaro prestando um grande servio  causa democrtica e ajudando os eleitores a praticarem o voto consciente.

Do lado dos candidatos, nesta primeira semana, todos eles se apresentaram como honestos, sabidos e capazes de resolver os imensos problemas do Brasil, em definitivo e em apenas quatro anos. Esplndido! Oxal eles possam provar isso tudo depois de eleitos.

Sei que o timo  inimigo do bom. Mas, faltou  nova lei eleitoral um dispositivo tornando compulsrio aos candidatos explicarem de onde viro os recursos materiais e humanos para concretizar as suas idias mirabolantes. Faltou a obrigatoriedade de dizer o "como" realizaro seus projetos.

Bem, isto  exigir demais... Temos de avanar gradualmente. A democracia exige pacincia.
